Comunicação sem Ruído – O equilíbrio entre falar e ouvir

Autor: Toni Lynn Vieira de Carvalho 22/03/2016

As pessoas estão menos propensas a ceder, o que significa que não estão ouvindo umas às outras e que tomam decisões sobre onde viver, com quem se casar, como escolher amigos e até onde trabalhar baseadas naquilo em que já acreditam. Quantas vezes você excluiu alguém do Facebook devido a um comentário ofensivo a respeito de política, religião, criação dos filhos ou alimentação? Quantas vezes você evitou uma pessoa só porque não quer conversar com ela? O mundo está mais polarizado e mais dividido do que jamais esteve na história: toda conversa tem o potencial para se tornar uma discussão; políticos não conversam uns com os outros; e até questões triviais geram discussões irracionais tanto a favor quanto contra.

Por que não ouvimos uns aos outros? Simplesmente porque preferimos falar. Quando você está falando, está no controle. Não tem de ouvir algo que não te interessa, é o centro das atenções e pode reforçar sua própria identidade. Segundo Celeste Headlee, “conversar requer um equilíbrio entre falar e ouvir e, em algum momento, perdemos esse equilíbrio”. Em parte, isso se deve à tecnologia. Em pesquisa, a Pew Research constatou que cerca de 33% dos adolescentes americanos enviam mais de 100 mensagens por dia. E é provável que quase a maioria deles prefira enviar mensagens aos amigos a conversar com eles pessoalmente.

Experts no assunto certamente aconselhariam técnicas como: “olhe nos olhos da pessoa, pense com antecedência em tópicos interessantes para discutir, encare, balance a cabeça e sorria para mostrar que está prestando atenção, repita ou resuma de volta o que acabou de ouvir”. Em verdade, não há por que aprender a mostrar que está prestando atenção se você não estiver prestando atenção de fato. Convido você a ir além do trivial e ser capaz de desenvolver uma conversa da qual você sai se sentindo que foi envolvido e inspirado, que houve uma conexão real e que foi perfeitamente compreendido.

1. Mantenha o foco na conversa
O importante mesmo é estar presente. Deixar o celular, o tablet, as chaves do carro ou o que tiver nas mãos de lado é um bom começo. Não fique pensando na discussão que teve com o chefe. Não pense no que vai comer no jantar. Se quiser sair da conversa, simplesmente saia da conversa, mas não fiquem metade dentro e metade fora dela.

2. Deixe de lado a sua opinião pessoal
Todos que você vai conhecer na sua vida sabem algo que você não sabe, portanto você precisa entrar numa conversa acreditando que têm algo a aprender. Se quiser dar sua opinião sem qualquer oportunidade para reação ou discussão, objeção ou evolução, escreva um blog. Segundo M. Scott Peck, a escuta verdadeira requer deixar de lado a si mesmo, ou seja, deixar de lado sua opinião pessoal. Dessa forma, ao sentir essa aceitação, a pessoa com quem você conversa se sente cada vez menos vulnerável e mais propensa a aprofundar a conversa.

3. Faça perguntas abertas
Comece as perguntas com “quem, o quê, quando, onde, por quê ou como”. Se eu perguntar: “Você ficou apavorado?”, você vai reagir à palavra mais poderosa da sentença, que é “apavorado”, e a resposta é “Sim, fiquei.” ou “Não, não fiquei.”. Deixe a outra pessoa descrever; é ela que sabe. Tente perguntas como: “Como é que foi aquilo?” “Como foi passar por isso?” Porque assim ela vai parar por um momento e pensar no assunto, e você vai obter uma resposta muito mais interessante.

4. Sinta e deixe fluir
Isso significa que pensamentos vão surgir na sua mente e você precisa deixá-los passar. Frequentemente sentamos para conversar com alguém e daí lembramos de algo interessante que aconteceu conosco. Então comentamos ou perguntamos algo totalmente fora do contexto da conversa, simplesmente porque paramos de ouvir. Histórias e ideias vão vir até você. Você precisa deixá-las vir e deixá-las ir.

5. Se você não sabe, diga que não sabe
Imagine que você está no ar numa rádio de abrangência nacional. Seja cuidadoso antes de afirmar que é especialista em algo ou afirmar que sabe algo com certeza; lembre-se de que fica tudo gravado. Melhor pecar pelo excesso de cautela, pois as palavras deveriam ter mais valor.

6. Não compare sua experiência com a da outra pessoa
Todas as experiências são individuais. E, mais importante ainda, não se trata de você. Se eles estiverem falando sobre a perda de um familiar, não comece a falar sobre quando você perdeu um familiar. Se estiverem falando sobre problemas no trabalho, não diga a eles o quanto você odeia seu emprego. Uma vez perguntaram a Stephen Hawking qual era seu QI, e ele disse: “Não tenho a menor ideia. Pessoas que se gabam de seu QI são fracassadas”.

7. Ouça com Atenção
A pessoa média fala cerca de 225 palavras por minuto, mas podemos ouvir até 500 palavras por minuto. Portanto, nossa mente está completando essas outras 275 palavras. Prestar atenção em outra pessoa exige esforço e energia, mas, se não consegue fazer isso, você não está numa conversa. Stephen Covey disse isso lindamente: “A maioria de nós não ouve com a intenção de entender. Ouvirmos com a intenção de responder”.

8. Seja breve
Quando temos de fazer valer nosso ponto de vista, tendemos a ser repetitivos, especialmente em conversas no trabalho ou com nossos filhos. Lembre-se que as pessoas ligam para você, como você é, e o que vocês têm em comum. E não para todos os detalhes que você está lutando para se lembrar. Em resumo, “Uma boa conversa é como uma minissaia; curta o bastante para manter o interesse, mas longa o suficiente para cobrir o assunto” – Anônimo.

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